Sombras de Silêncio #345

Girolme, no meio do quarto, apenas acenou, enquanto tentava gravar os nomes referidos, apercebendo-se então de um contratempo: – Mas eu nã sei andar de mota. – Eles não lhe vão dar a mota… tem de ir a pé. Já
365 dias, 365 capítulos, 1 livro

Girolme, no meio do quarto, apenas acenou, enquanto tentava gravar os nomes referidos, apercebendo-se então de um contratempo: – Mas eu nã sei andar de mota. – Eles não lhe vão dar a mota… tem de ir a pé. Já

Depois de alguma discussão, o diretor do hospital permitiu que Girolme subisse ao quarto onde estava Alberto, devidamente acompanhado pelo segurança. Girolme ia rezando pela saúde do amigo, sempre com o olhar inquiridor do homem a seguir-lhe as intenções. Ao

Com algumas indicações dos transeuntes, Girolme lá conseguiu chegar ao hospital da cidade. Aflito, dirigiu-se depois à receção e perguntou se podia ver o amigo que ali chegara baleado. Do outro lado do vidro, uma senhora, de bata branca e

Pela manhã, quando acordou, Girolme encontrou Alberto exatamente na mesma posição. Estiveram ainda algum tempo sem se mexerem, dormitando cada um nas suas tristezas. Despertaram então das memórias. Depois de lavarem a cara e comerem dois pães com manteiga, saíram

– Uma noite… estávamos muito quietinhos no aquartelamento, a jogar às cartas e… ouvimos um grande estoiro ali perto. Pegámos logo nas metralhas e fomos ver o que se passava. Tinham atirado uma granada para a caserna do lado. No

Girolme assustou-se e disparou o olhar amedrontado para os cantos escondidos do quarto. Depois, notando que a imaginação o estava a tramar, aproximou-se de Alberto e disse num tom de voz calmo e espaçado: – Está tudo bem… nós chegámos

Deitaram-se. Alberto ficou do lado do banheiro, junto à mesa-de-cabeceira, enquanto Girolme ficou voltado para a janela, vendo o luar imiscuir-se entre a lugubridade da cidade, como se tentasse amedrontar as criaturas da noite. A brisa deambulava de forma impercetível