Pico do Marão

Pico do Marão. Já estávamos há alguns anos para vir aqui. Neste domingo, finalmente a vontade de ir transformou-se no desejo de regressar! Manhã cedo, saímos de casa com a intenção de passear pelo Douro e visitar esta serra. Depois de algumas paragens, na Régua, Caldas de Moledo e Mesão Frio, investimos pela estrada de terra e subimos à nossa vontade. Por julgarmos que adiante haveríamos de ter problemas, a meio optámos por descer um pouco e continuar pela estrada de alcatrão, poupando alguns quilómetros. Contudo, quando a estrada sobe para as Antenas do Marão torna-se evidente a degradação da via. Tanto que nos arrependemos de ter deixado o estradão.

Há cerca de um ano atrás, mais coisa menos coisa, algures no omnisciente mundo da Internet, vi uma imagem vertiginosa desta encosta, com a aldeia lá no fundo. Na altura não consegui perceber onde seria, mas ficou a vontade de a descobrir. Uns meses depois, em conversa com um amigo destas andanças, fiquei a saber que ele tencionava visitar este local e até tinha pensado em criar uma cache. Pela informação extra, investigámos um pouco mais e ficámos a saber que o ponto já estava referenciado (GC4G1N5). Ao percorrer os seus registos, a vontade de visitar este maravilhoso miradouro cresceu bastante, até que finalmente se concretizou!

Seguimos de carro até onde achámos que não teríamos problemas no regresso. Na verdade, poderíamos ter continuado até à última curva do estradão, antes da abordagem final, mas decidimos não arriscar. Junto à curva estava estacionado um jipe. Percebemos depois que estavam a preparar o material para ir escalar. Como o calçado não era adequado, a Valente optou por ficar por ali. Eu tinha levado umas sapatilhas suplentes para a abordagem, mas no frenesim da descoberta acabei por deixá-las no carro. De qualquer forma, saltando de pedra em pedra, não demorei muito até chegar perto do precipício. É impressionante como o terreno desaparece de forma abrupta, em largas dezenas de metros de verticalidade. Com o devido respeito, segui a seta do GPSr e aproximei-me do fim da montanha. Tinha como referência uma rocha saliente que aparecia em várias imagens e quando a identifiquei soube que estaria perto.

Transpus o último obstáculo e ergui-me no pináculo vertiginoso da paisagem. As pernas não chegaram a tremer, mas estava inebriado pela fantástica localização. De fotografia em fotografia, estava na proa da montanha, no abismo do mundo! Com cuidado, procurei e registei a descoberta, numa margem de segurança do medo, acabando por ser mais simples do que parecia. Depois de arfar a adrenalina, notei que não poderia sair dali sem uma foto. Acrescento apenas que foi desafiante colocar a máquina lá em cima e descer em 10 segundos para aparecer na imagem!

Com esta fantástica descoberta, roubei um sorriso ao abismo e subi a encosta para dar notícias de êxtase à Valente. Regressámos ao carro, atravessámos a serra, sempre pela terra, e ainda fomos a tempo de nos despedirmos da última luz do dia num passeio junto ao Douro inolvidável.

Pico do Marão

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