Sombras de Silêncio #142

Miguel notou que as pessoas saíam de casa para os seus afazeres. Para que não o tomassem por vagabundo, decidiu voltar para a ponte, já que era do outro lado que se erguia a cidade e onde haveria de encontrar

Miguel notou que as pessoas saíam de casa para os seus afazeres. Para que não o tomassem por vagabundo, decidiu voltar para a ponte, já que era do outro lado que se erguia a cidade e onde haveria de encontrar

Enquanto todos os condicionalismos se misturavam e lhe organizavam a vida de forma mecânica, pela indiferença dos seus gostos ou vontades, Miguel sentiu uma vibração inebriante que lhe elevou o espírito a uma miríade de sentimentos e sensações que nunca

Entre o frio e a escuridão, os passos de Miguel tornaram-se incertos e inconsequentes. Quis por várias vezes voltar para trás, para o sossego de uma vida segura pelos píncaros da resignação. Porém, outra vontade impeliu-o a ignorar as égides

Pouco depois, o padre adiantou que seria melhor tratar do funeral ainda naquele dia, pela tardinha, no sentido de lhe dispensar as exéquias com a maior brevidade possível, salientando que os suicidas tinham mais contas que prestar a Deus. Arnaldo

Arnaldo e Cina continuaram a discussão fora do quarto e pela noite dentro. Magoada, Cina quis confrontá-lo com a verdade escondida por detrás do nascimento do filho. Arnaldo, ainda que o desconhecesse, era estéril. Simão era filho de um encontro

Enquanto percorria as ruas da povoação, Simão notou um estranho alvoroço na estação de caminho-de-ferro e dirigiu-se de imediato para lá. Regressou a casa cerca de meia hora depois, numa altura em que Cina já tinha convencido Joana a irem

– Meu querido, amanhã falamos nisso. Faremos como te disse. Eu vou falar com os meus pais e isto vai-se compor. Assim não. E p’ra onde haveríamos de ir? – P’ra qualquer lado. Eu vou-me embora, vem ou fica? –

Miguel, que já estava reticente, pressentiu que só pela sua vontade poderia sair dali. Sem a encarar, reforçou que partiria durante a noite, sozinho ou acompanhado. Nunca julgou ser capaz de o pensar, dizer ou fazer, mas a quebra de