Drave Trail III

Existem locais que nos fascinam desde o primeiro olhar. Existem locais que nos enchem a alma a cada regresso. Existem locais que, de tão fantásticos, existem em nós como se fossem mais do que memórias. A Drave é um local assim. Adormecida numa encosta da serra da Arada, entre a confluência de três ribeiros de águas cristalinas, é a morada perfeita para quem gosta de chamar casa à Natureza.

Neste ano, o regresso à Drave ficou marcado para o dia 20 de maio. Vindos dos mais variados locais, os participantes juntaram-se em Regoufe. A breve confraternização serviu para rever os amigos e conhecer as aventuras mais recentes. Fiquei também a saber os pormenores do resgate das cabras perdidas. Afinal, as cabras tinham sido dispersas por um helicóptero nas buscas pelo Pedro Dias, sendo que as bichas ainda conseguiram escapar aos lobos. Já mais bravias do que domesticadas, apenas à terceira tentativa e com o rebanho no local é que foram finalmente resgatadas.

Como tem sido habitual, os participantes foram divididos entre a corrida e a caminhada, com percursos e dificuldades distintas. Naturalmente, acabei por seguir com o grupo de corrida. De todas as formas de chegar à Drave a subida do rio Paivô, prosseguindo pela ribeira da Drave, é a minha favorita. Chegados ao rio, rapidamente percebemos que o nível da água iria colocar-nos alguns desafios. Em janeiro passado, na marcação do track, tinha conseguido fazer o percurso sem molhar os pés. Desta vez, fomos à água logo ao primeiro obstáculo. Porém, como estava bom tempo, o trajeto pela água acabou por ser mais uma benesse do que um contratempo.

Desafio atrás de desafio, lá chegámos à Aldeia Mágica, onde reencontrámos os caminheiros do evento, sentados à sombra de uma história de magia. Como tem sido habitual, a aldeia estava cheia de vida. As pessoas chegavam e partiam com o olhar encantado. Os escuteiros dividiam-se entre o passeio, o descanso, o restauro de uma escadaria e uma palestra sobre a história da aldeia.

O nosso almoço decorreu junto à lagoa da aldeia, entre a sombra e o bucolismo. Depois do repasto, tivemos ainda tempo redescobrir alguns recantos da aldeia. Com os grupos entregues à exploração daquele mundo mágico, prosseguimos pela ribeira de Palhais em direção ao Portal do Inferno. Com o sol a pique sobre a encosta escalvada, esta subida encimou uma miragem de descanso. Seguiu-se uma descida técnica até Covas do Monte, onde aproveitámos para recuperar o fôlego. Por fim, nova subida extenuante ao Portal, com a aldeia e os campos a surgirem bem emoldurados. Depois do pior, enquanto partilhávamos ideias e momentos de trail, descemos até Regoufe num relance. Pelo meio pudemos testemunhar a generosidade dos habitantes destas montanhas mágicas, com o padeiro da região a servir de taxista, guia de adegas e conselheiro sentimental. O track da corrida pode ser visto e descarregado aqui.

Já em Regoufe, enquanto esperávamos pelo jantar, ainda tivemos tempo de ir espreitar as minas. O cenário distópico parece lembrar-nos que tudo nesta vida é passageiro. Com o apetite aguçado pelo cansaço e pelas vistas generosas, o jantar no restaurante “O mineiro” foi excelente, tal como a conversa que o acompanhou. Dificilmente haveria melhor forma de terminar este dia fantástico. No final, foi um prazer ouvir as histórias da dona Fátima. Desde os rapazes que vão treinar de noite para aquelas montanhas como preparação para os Himalaias, aos encontros com os lobos e às suas entrevistas para a comunicação social.

Restam os agradecimentos. Obrigado ao João e ao Joaquim por se terem lembrado que seria boa ideia organizar um evento de trail na Drave. Obrigado ao Filipe que serviu de guia para o grupo da caminhada. Obrigado à dona Fátima e aos seus colaboradores pela extrema simpatia e profissionalismo. Obrigado a todos pela participação. Até para o ano!

Drave Trail III

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