
Cerca de quinze anos depois de um percurso pela antiga linha ferroviária, prestes na altura a ser submersa pela albufeira da barragem, voltámos às encostas do Tua. Após uma primeira paragem no miradouro do Ujo, com excelentes vistas para a albufeira, seguimos até ao jardim das Laranjeiras para ultimar os preparativos da caminhada pelos recentes e populares passadiços da ribeira da São Mamede de Ribatua.
Com a versão circular excluída, a opção recaiu em levar o carro até ao ancoradouro junto à albufeira, na parte final do trilho linear. Dali larguei-me numa corrida até à aldeia pelos passadiços, onde elas me esperam. Depois de um troço pelas margens, ao alcançar a ribeira, o trilho levanta-se abruptamente pelos passadiços engenhosamente ali colocados. Após um primeiro impacto de cansaço pensei que não aguentaria a corrida até lá cima, mas lá acabei por ultrapassar os cerca de 4km e 350m de subida acumulada.
Já mais descansado, a caminhada de descida pelos passadiços permitiu apreciar melhor o percurso e a paisagem. Não necessariamente por qualquer ordem, creio que o que mais me impressionou foi:
- A capacidade incrível do Homem em criar leiras domesticadas e canais de água naquele cenário de encostas selvagens e escarpadas;
- A arte violenta da água da ribeira ao longo do tempo, que sulcou a penedia íngreme criando uma série de efeitos muito fotogénicos, como marmitas de gigantes, frechas, lagoas e cascatas.
- O trabalho que deve ter dado montar ali aqueles passadiços de forma a que possamos observar tudo de perto e em segurança.
A pequena Valente Cruz também gostou muito da caminhada, como ia enfatizando ao longo do percurso e nos seus momentos de paragem em espanto.
No final, e após algumas passagens pela região em que a marcação não tinha sido possível, fomos finalmente revisitar o melhorado restaurante Calça Curta, que para além de uma ótima degustação da culinária duriense, nos ofereceu umas vistas temperadas para o rio e para as encostas em frente.













Memórias do percurso pela antiga linha ferroviária do Tua, em 2011.







