O tempo inquieto

Numa viagem pelas fotografias com histórias dentro, tendo em conta as circunstâncias do aparecimento deste website, esta teria de ser a primeira. A fotografia foi tirada no amanhecer do dia 30 de junho de 2013, no topo do Cântaro Magro. Após ter terminado de escrever “O tempo inquieto” e cerca de um ano depois de ter iniciado esta odisseia, voltei a este magnífico maciço rochoso para assistir ao nascer do sol do último dia desta história. Foi, portanto, o capítulo derradeiro de uma aventura memorável! Em relação às palavras, algumas foram atiradas ao vento, outras foram deixadas a repousar à espera do meu regresso. A montanha haverá de saber o que fazer ao manuscrito. Quanto a mim, gostaria de lá regressar todos os anos, também para me reencontrar. No momento em que a fotografia foi tirada já era possível vislumbrar sem dificuldades onde metia aos pés, pelo que deixei a máquina no tripé e fui a correr para ficar na imagem, mirando o horizonte. Depois, juntamente com o Bruno Ricardo, a Tânia Magro, o Ricardo Abrantes e o Paulo Matos, que tiveram a amabilidade de me acompanhar nesta experiência, ficámos por ali, a apreciar o momento. A dada altura lembro-me de agarrar no telemóvel e, aleatoriamente, escolhi uma música, que quebrou o silêncio num conforto melódico e sideral: “Ground control to major Tom”. No meio de tudo, a inquietude do tempo que teima em nos tornar insignificantes. Naquele momento não o poderia saber mas esta fotografia haveria de se tornar na capa do romance.

O tempo inquieto

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