Esta fotografia foi tirada num fantástico percurso pela linha abandonada do Tua, no contexto do aniversário do Fernando Rodrigues, também conhecido como Nandini, em setembro de 2011. Na altura, a convite da Flora “Lusitana Paixão” Cardoso, escrevi um pequeno artigo para o portal Geopt. Na altura de escolher um título para o artigo acabei por me decidir por “O tempo inquieto”. Na altura não sabia ou poderia adivinhar que este título haveria também de servir para o meu primeiro livro a ser publicado, sobre um escritor que pretende escrever um romance inspirado na vida de Viriato. Ao reler o artigo deparei-me com uma coincidência: depois de chegarmos à Estação da Foz do Tua fomos de táxi até à Estação da Brunheda; o pormenor delicioso é que o nome do taxista era precisamente Viriato. O nosso subconsciente é realmente incrível!
O percurso é fascinante e felizmente tivemos a oportunidade de o percorrer na sua plenitude, num tempo em que as consequências da construção da barragem ainda não se faziam sentir. A ideia para o título “O tempo inquieto” surgiu daqui: «No final, apesar do cansaço natural, pareceu que não tínhamos sido nós a caminhar; a linha é que se moveu, puxando-nos para a frente e para trás, levando-nos pelo tempo e saltitando entre tudo o que foi, tudo o que é e tudo o que será, como se fosse uma criança irrequieta à espera de um futuro. Contou-nos histórias sobre os sorrisos dos primeiros viajantes, a inquietação das águas que anseiam por subir o seu nível e, por fim, mostrou-nos, lá em baixo, um pneu encravado nas rochas do rio, como se temesse a inquietude destes tempos e de outros que ainda estão para vir.»
A fotografia foi tirada num dos túneis, ao aproximarmo-nos do final da caminhada. Por sorte, o sol estava a despedir-se no horizonte, com os raios a aproximaram-se da horizontal, e a luz existente possibilitava que aquela parte do túnel ficasse equilibradamente iluminada. A foto, que mostra também a Flora e o Pedro Brandão a caminharem sobre as traves, transmite-me uma sensação de passagem das trevas para a luz e uma vontade de colocar uma mochila às costas e partir. Existe sempre um caminho à espera das nossas pegadas, por mais inusitado que possa parecer!
Linha do Tua



