O frio na Arada

Algumas fotografias resultam de muitas horas de preparação, cujo contexto está para lá de um simples clique. Antes de ir para o terreno é necessário investigar quais as características e definir o momento oportuno para tirar a foto. Contudo, neste caso, foi pura sorte e coincidência! A fotografia foi tirada no dia 13 de março de 2013. Saí de São Pedro do Sul, pela manhã, com o intuito de fazer um percurso na Serra da Freita. Apesar de já faltar pouco tempo para a primavera, o ar estava frio e vento regelava a vontade de grandes aventuras. Subi pela Serra da Arada e à medida que me fui aproximando do Alto da Cabria, comecei a notar que a berma da estrada estava pintalgada a espaços pelo gelo. A vegetação mais proeminente suportava os cristais que o frio ali tinha deixado durante a noite. Decidi então estacionar e fui tirando algumas fotografias.

Quando dei por mim tinha chegado a topo da colina, por onde passa um caminho de terra. A Serra da Arada foi despida de árvores pelos sucessivos incêndios. Aqui e além subsistem alguns pinheiros, aleatoriamente dispersos. Nesta zona, aqueles eram mesmo os únicos que por lá existiam e resistem precisamente no topo, onde estão mais sujeitos às intempéries. Durante a noite fria, o vento gelado tinha criado um castelo de arte nos pinheiros, sendo que o chão estava praticamente limpo. Pela forma do primeiro pinheiro percebe-se o quão está sujeito às nortadas, enquanto o sol, do outro lado, lhe vai aquecendo a resina da vida. A foto salienta esse legado de inexorabilidade e estoicismo, contra todas as adversidades e consequências. Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!

O frio na Arada

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