Esta foto foi tirada na noite de 10 de maio de 2014, nas Minas dos Carris – Serra do Gerês, aquando do evento sunrise@Carris. O dia começara de madrugada, com a viagem até à Portela do Homem. Dali fiz-me ao trilho da montanha, subindo em solitário pela Encosta do Sol. Depois de uma primeira passagem por este trilho fiquei com muita curiosidade em voltar a fazê-lo, recordando, sobretudo, a zona mais próxima para o Vale do Rio Homem e o Arco. A meio da subida fiz uma pequena paragem para o almoço e lá continuei pelo trilho. Ao chegar perto do Pico Sobreiro fiz um desvio e fui visitar as Minas das Sombras, onde encontrei o Fernando Rei. No regresso da descoberta ainda tive direito a andar no carril da mina!
Seguimos depois para a Ponte das Abrótegas e fomos visitar um local, perto do Coucelinho, onde tivemos uma visão absolutamente fantástica, por se tratar do único, ou dos pouquíssimos locais, de onde se consegue ver os principais picos desta serra, desde a Roca Negra e a Rocalva, o Pico Sobreiro, o Pico da Nevosa, a Fonte Fria lá ao longe, as Portas Ruivas, etc. Todo o Gerês parecia caber naquela visão. Prosseguimos depois para o prado da Lamalonga e subimos finalmente às Minas dos Carris, passando pelos edifícios abandonados. Pelo meio ainda fiquei a conhecer o local onde se encontra a mina principal, um buraco vertical com cerca de 200 metros de profundidade.
Ao chegarmos às Minas dos Carris já lá estavam os restantes companheiros: António Azevedo, António Lopes, Jose Alvarez e Carlos Costa. Já sem o peso da mochila que me acompanhou todo o dia, até me deu vontade para correr. Após ter reconfortado o estômago com um licor inspirador, e como a noite ameaçava ser fria, fomos em busca de alguma lenha pela zona limítrofe. Durante a noite, enquanto acumulávamos boas memórias à fogueira, subi ao rochedo que ficava próximo e tirei esta foto. Ao longe, a vida prosseguia e o mundo continuava a rodar. Ali, o tempo parecia que tinha interrompido a sua cadência, deixando-nos numa contemplação perene.
Apesar de ter levado apenas saco-cama para passar a noite, acabei por dormir numa tenda emprestada. E ainda bem que o fiz! A meio da noite escutámos ruídos de movimentos e algum animal (talvez um lobo) andou a rondar as tendas. Ninguém quis abrir a tenda e cumprimentar a surpresa. A noite decorreu muito bem e seguiu-se o fabuloso nascer do sol, que surgiu um pouco tímido entre as nuvens distantes. No regresso à Portela do Homem passámos pela Lamalonga, Coucelinho, Borrageiro, Prados da Messe e descemos à civilização pela Costa da Sabrosa. É sempre um prazer calcorrear esta serra maravilhosa e deixar a memória nestes instantes!



