Convento do Tomina

Alentejo. Longe do manto de água da albufeira, a planície torna-se árida e cada sombra é uma promessa de descanso. O horizonte vai definhando numa miragem insuspeita. A vida deambula em passos erráticos e as gotas do suor saem-nos da alma. E no meio desta imensidão, jaz, esquecido, o Convento do Tomina. O caminho faz-se a montante de uma ribeira, seca no auge da época estival. Os trilhos dividem-se por estes meandros, furando a vegetação, como se fossem os caminhos da sobrevivência. Com a aproximação, o vale torna-se mais escarpado e as rochas mais salientes. E então, como por magia, surge no horizonte a torre sineira do convento. Duas encostas depois, reencontra-se a história. O monte rochoso vizinho, que a Natureza recriara ao longo das eras, foi transformado num edifício religioso que sustentou gerações. Agora, tomado pelas heras, parece estar a fazer o seu caminho de regresso ao mundo primevo. O abandono conferiu-lhe uma mística muito própria. Parece perdido neste tempo, num périplo desconcertante em busca do seu século.
2015-08-05