Gerês, uma viagem pela Terra Média

paisagem

Já por duas vezes estivemos para realizar a caminhada d’O Hobbit, numa viagem pela Terra Média do Gerês, mas devido às condições climatéricas acabámos sempre por adiar. Desta vez, a meio de um agosto quente, a manhã acordou novamente cinzenta e a tradição parecia manter-se. A chuva miudinha caía em silêncio e deslizou depois para uma alteração de planos, dado que a previsão meteorológica para a tarde raiava uma melhoria. Fomos primeiro visitar o castelo de Lindoso, uma casa misteriosa e acabámos a manhã nas piscinas de água termal de Lobios; é, sem dúvida, um bom sítio para se estar enquanto chove.

espigueiros-lindoso

Regressámos pela Mata de Albergaria e fizemos uma paragem para almoço na Portela de Leonte. Depois de um périplo pela vila, subimos à Pedra Bela e estacionámos no local recomendado. Entretanto, a chuva tinha terminado e o nevoeiro ia-se dissipando, pelo que decidimos investir na caminhada. A primeira parte acabou por ganhar alguns contornos de misticismo, com o nevoeiro a vaguear por entre as árvores. À medida que se vai subindo o caminho dá lugar a um trilho, as encostas tornam-se mais inclinadas e os amontoados graníticos vão compondo a paisagem.

Depois de uma primeira paragem sobre um vale muito fotogénico, chegámos por fim ao Curral da Carvalha da Égua. O prado é bastante grande e o abrigo parece ter excelentes condições. Prosseguimos pelo trilho e umas centenas de metros mais à frente encontrámos um novo prado/abrigo, bastante mais rústico, mas igualmente interessante. A partir do prado entrámos no reino dos trilhos mais exíguos, tendo como guias as mariolas. Desviámo-nos do trilho que segue para a Teixeira e subimos o monte em busca da descoberta. Ao longe, os prados anteriores iam ficando cada vez mais pequenos.

montanha

À medida que íamos subindo o nevoeiro acabou por dissipar-se, pelo que ficámos com uma visão inteira do que nos rodeada. As nuvens compunham o cenário, para deleite da máquina fotográfica. Depois de mais um ponto de passagem, fizemos as contas ao destino e ao tempo disponível. Enquanto a Valente ficaria a aguardar, eu completaria a experiência, subindo ao pico. Acelerei a vontade, mas acabei por fazer uma má leitura do mapa e subir para onde não precisaria. Na montanha temos que respeitar as curvas de nível e evitar subidas e descidas desnecessárias. A progressão nesta parte do trajeto estava um pouco mais difícil, visto que o trilho deve ser raramente usado. Surgiu então a visão da Montanha Solitária. Ao longe, o Pé de Cabril assemelhava-se na forma e despertava algumas memórias e outras tantas vontades de um regresso.

trilho

Alcancei por fim a terra plana, no dorso da encosta. Aproveitei então uma paragem para apreciar as vistas para os vales do Gerês e da Teixeira. O final da aventura estava perto, mas ainda era preciso vencer um último desafio. Com cuidado, esgueirei-me pelo pico e não demorei muito a chegar lá acima. A vista é triunfante e arrebatadora. Apetece ficar por ali indefinidamente a apreciar a solidão do local, envolvido por uma paisagem grandiosa. Depois das fotos, e após alguma procura, lá acabei por encontrar o que desejava e marquei mais uma descoberta geresiana fantástica.

mariola

O regresso foi feito em modo acelerado, evitando a zona em que o trilho estava mais fechado, mas acrescentando mais uma subida ao cardápio. Resumindo, fui a direito pelos picos. Reencontrei a Valente e refizemos depois o caminho de regresso à civilização, aproveitando mais algumas paragens e muitas fotografias. No regresso encontrámos dois caminhantes que iam no sentido inverso, talvez com o intuito de pernoitar nos prados. Chegámos ao carro cerca de 4 horas depois de termos iniciado esta aventura e ainda fomos a tempo de assistir a um prenúncio de despedida do sol desde o miradouro da Pedra Bela.

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